sábado, 21 de novembro de 2009

UMA SEMANA DE REFLEXÃO- FECHE OS OLHOS


Feche os olhos!
Mergulhe no abismo da escuridão, da solidão que às vezes é bemvinda.
Não fale nada...só escute o silêncio, o som do íntimo...
de dentro para fora, não de fora para dentro.
Deixe fluir qualquer coisa de seu coração, há tempos ele não fala.
Porque nunca fecha os olhos pra falar consigo mesmo.
A visão nos cega, o óbvio escraviza.
Nós mesmos preferimos assim, criamos tudo isso.
E se criamos, podemos desfazer... é só fechar os olhos.
Você consegue ouvir a folhagem das árvores... o vôo da borboleta...
percebe até os insetos.
A brisa suave acaricia seu rosto... há tempos não sentia isso.
Veja como tudo ficou calmo.
Suas antenas naturais, seus instintos estão ligados, despertos.
Sinta à sua volta todas as coisas que não percebe de olhos abertos.
Não, não tente voltar atrás para recuperá-las.
São como as ondas do mar... vem e vão... vão e vem.
Apenas se prepare para a próxima onda.
Você agora é um barco... sua bússola é o sentimento.
Puxa, como é grande o oceano!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é um pássaro... altivo, festivo, voando alto olhando os seres lá embaixo.
Perde-se no horizonte, pousa nos montes, cruza o arco-íris, bebe das fontes.
Como é grande o céu!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é uma poesia, ou uma canção, cheia de notas e rimas, abertas ou em falsetes.
Dentro de você agora há um perfeito concerto.
Puxa, como é grande a inspiração!
Seria assustadora se não fosse linda.
De olhos fechados você é tudo, pode tudo num instante.
Pode ser flor... pode ser folha ao vento.
Pode ser palhaço, pode ser Peter Pan.
Pode ser menino, pode ser gigante.
Puxa, como é grande a imaginação!
Seria assustadora se não fosse linda.
Você abre os olhos... agora é um ser comum.
Na multidão, apenas mais um
que não escuta, só grita, que não afaga, só bate
que não planta, só arranca com mão destruidora
que buzina e acelera pra lugar nenhum.
Volta à vida normal,
que seria linda...se não fosse assustadora.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- A FONTE QUE NUNCA SECA


Uma fonte deliciosamente estranha.
Quando penso que secou... ela se assanha.
Às vezes fica quieta, despretensiosa.
De repente vai à forra, jorra generosa
e me dá um banho de emoção,
regando, tornando fértil meu coração.
Quando penso que já vi tudo,
vivi por tudo, ou morri por tudo,
ela se renova, e põe à prova o que preciso dizer
do meu jeito dúbio de ser.
Cada vez que ela brota e desliza
tudo em mim se ameniza.
Mostra uma aura que me acompanha desde que nasci,
não fui quem escolhi.
E a poesia habita em mim.
Estou falando da inspiração,
da fonte que não tem fim.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- FRASES MINHAS SOBRE A POESIA



Algumas frases e pensamentos meus sobre a poesia. Algumas vocês já conhecem.
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Ele escrevia tanta poesia que um dia misturou: Era o homem fazendo poesia ou a poesia fazendo o homem?
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Já me disseram que meus olhos brilham quando falo de poesia. Gostaria muito de poder ver meus olhos nessa hora
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Não tenho muitos dons. Não sei fazer o que a maioria das pessoas sabem. Mas Deus me aliviou me dando o dom da poesia
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Quando escrevo me sinto em êxtase, em transe total.
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Me criticam por falar de poesia o tempo todo. Pior são eles que brigam o tempo todo.
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Se eu fosse Presidente por um dia? Colocaria a poesia como matéria escolar
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Dizem que “viajo” muito, como um balão no vento. De vez em quando é preciso que alguém puxe a cordinha, senão vou embora
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Me perguntam, quando, onde ou em quê me inspiro. Ora, a poesia acontece todo tempo à nossa volta
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Não sou bonit,sou impaciente, teimoso e às vezes, chato. As pessoas gostam de mim por causa da poesia. A poesia é meu charme.
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tenho dois nomes:CARLOS e POETA.É muito bom ter duas identidades
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Eis a nova versão de Gênesis: Deus no sétimo dia, vendo tudo pronto, antes de descansar, pensou:Está faltando alguma coisa... disse:Faça-se a poesia. E a poesia se fez e Deus viu que a poesia era boa e chamou aquilo tudo de paraíso.
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A poesia me deu os melhores amigos e as melhores namoradas
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Essa não é minha, eu ouvi de uma senhora de oitenta e oito anos:”Deixem que te batam, que te xinguem, que zombem, mas não deixes jamais que lhe tirem a poesia.Ela é tua essência
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Tem poesia minha espalhada por todo canto. No meu bolso, nas minhas gavetas, na minha parede. E nas paredes de muita gente. Acho bonito isso
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Não uso muitas regras na poesia. A única regra irretocável na poesia é a da emoção
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- A POESIA ME TROUXE ATÉ AQUI


( imagem revnilsonjr.files.wordpress.com )
Toninho, professor de português, gostava de poesia e assim ficamos amigos, tanto que era normal às sexta-feiras sairmos com outros alunos a bares. Numa dessas rodadas de cerveja, ele atuou meio na contramão. Justo num dia em que fiz quase toda a sala chorar com um texto sobre as mães. Texto que nem eu mesmo tenho mais. Era meu primeiro dia das mães em quartos de pensão e consegui externar aos amigos o que sentia, mas extendendo a todos. Afinal mãe é um tema geral. Ele disse. “ Não preciso dizer que gosto do que escreve. Só que hoje você se superou. Nunca li algo tão lindo sobre as mães. Mas isso é coisa de juventude, os ânimos afloram na gente. Quando tiver seus quarenta anos isso passa, a veia poética diminui”. Discordei na boa. “Você está me subestimando. Não a minha inteligência, mas minha sensibilidade. Pode-se medir o QI de alguém, mas sensibilidade não. Você não sabe da minha relação com a poesia. Para mim é muito mais que sentar à mesa e escrever. É meu estilo de vida. Tudo que passei e que passo, tanto de bom quanto ruim, foi através da poesia que superei. Porque aprendi através da poesia e da fé, tirar proveito de todas as situações. Foi a poesia que me trouxe até aqui”. Tirei do bolso um papel e o dei. “Veja que boa coincidência. Escrevi hoje algumas frases sobre o que penso da poesia”. Lá estavam entre outras. ‘A poesia é como um outro corpo que fala por mim quando meu corpo não consegue se explicar’. ‘Se o planeta tem 2/3 de água, meu corpo tem 2/3 de poesia’. ‘70% de meu tempo são de poesia, os outros 30%, não vejo passar’. ‘A poesia é minha espada do bem, meu escudo contra os dragões desse mundo de terror’ Depois de ler e parecer impressionado, tentou mudar de assunto, mas inconscientemente não mudou, pois sem querer mexeu de novo na minha teimosia, ops... digo, essência. “Sinto você meio centralizador, um certo egoísmo, uma convicção exagerada. Em tudo que escreve, mesmo falando de temas alheios, a gente percebe o CARLOS, embutido no texto e no contexto. Isso não é perigosamente repetitivo?”. Ri. “Você é muito inteligente. Acertou. Acontece que não existe o Carlos, sem o Carlos dos textos e vice-versa. E não temo ser repetitivo, pois eu não sou apenas um Carlos, sou vários dentro de mim. Tenho uma fonte inesgotável aqui dentro de sensações e se eu não colocar pra fora, eu explodo. Só não me peça para não falar de mim, porque aí sim, eu vou parar de escrever, até mesmo antes dos quarenta. Temer o quê da poesia, que mal ela pode me fazer? Só estou tentando dizer: Eis minha impressão digital. Eu estou aqui!”.
Dezenove anos depois, sendo desses dezenove, treze sem voltar à cidade, mas nunca deixando de participar de concursos de um clube de escritores, hoje referência no estado, que vi nascer e frequentei, estava eu no Salão do Livro, que sempre que posso eu vou. Era lançamento simultâneo de coletânea que estava atrasada, de autores do estado. A premiação tinha sido no ano anterior e eu também estive, pois ficara num honroso oitavo lugar. A gente participa no Brasil inteiro, mas quer ganhar algo na cidade da gente. Enfim consegui.
Alguém tocou meu ombro. Virei-me e era Toninho, já cabelo grisalho, óculos caindo no nariz. “Você é o Carlos, não é?”. “Sou sim. Tudo bem, Toninho?”. Empolgado respondeu. “Agora melhor. Folheei uns livros aqui, vi seu nome e fiquei me perguntando se era você”.
Aproveitei para cobrar. “Sou eu mesmo. Não falei que não ia parar?”. Me abraçou de lado. “Você não sabe como fiquei feliz de saber que não parou. No dia seguinte àquela nossa conversa, passei um remorso grande, pensando que havia desestimulado um jovem. Logo eu, um professor. Meu alívio foi que alguém me falou. ‘Desestimular o Carlos? Então você não o conhece’. Fiquei com um pouco de vergonha de mim mesmo e por isso não lhe pedi desculpas. Agora estou muito contente de ver você aqui”. Tranquilizei-o. “Que nada! Não me chateio assim fácil, somos amigos. E eu também estou contente de ver você aqui. Não só o amigo, mas o professor também”. Feliz, ele disse. “Estou aposentado, mas como você eu não parei de gostar. Embora não tão intensamente como você, eu também amo esse mundo literário. Foi a poesia que me trouxe até aqui”. Levantei a mão. “Epa, essa frase é minha.”. E ele. “Sei que é. Mas ela ficou tão viva na minha memória. Gosto dela. Quando a gente não tem uma frase pede emprestado ao poeta”.
Depois me chamou para tomar algo, mas eu não podia,voltaria dirigindo.
Por isso digo que mais do que a vida me dar uma segunda chance, eu dou à ela uma segunda chance. Ela apronta comigo e anos depois, vem se redimir. Graças a Deus e à poesia por isso.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- QUANDO ACENDE O FAROL


Luzes não brilham à toa
Elas vêm coroar um momento bom
ou clarear um outro ruim
e tantas coisas acontecem
quando o farol se acende pra mim.
Quando acende o farol
iluminando mais que o sol,
revela uma identidade secreta
fazendo-me poeta
declarando o que a alma não pode guardar.
Nessa hora, eu cresço,
nessa hora apareço,
pois, é hora do espírito falar.
Quando o farol se acende
minha alma se rende
num instante gigante
retratada num papel,
nem todo mundo entende,
mas compor poesias é como estar no céu.
E é de lá que vem essa fonte ou essa luz
seja lá qual for o nome
que nunca se consome,
que me conduz,
fazendo-me um homem eterno
em poesias que vão ficar
provando que a morte leva,
mas não pode nos apagar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- MUITO PRAZER, MEU NOME É POESIA


( imagem deltacat.blogs.sapo.pt )
Olá você, que acabou de nascer.
Muito prazer, meu nome é poesia.
Um Ser superior mandou seguir você.
A partir de agora, em quase todo seu tempo
vou estar com você... por todos os dias
Não se importe se alguém criticar,
muita gente vai gostar.
Nesta união que se instaura
vou ser sua segunda pele, sua aura
seu encanto, seu manto, seu véu.
Seja qual for a cor do céu, nevoento ou azul
vou cobrir você de norte a sul.
A partir de agora, sou seu som, seu dom, seu tom.
Na euforia, na tristeza e no medo.... vou ser seu enredo.
Vou estar na sua cama, na mulher que ama.
Vou ser a sua chama!
Estarei no seu silêncio, no seu grito, nos trejeitos.
Pincelando seus defeitos, realçando sua beleza.
Vou ser a sua força... e sua pureza.
Vou ser seu mistério e sua clareza
Vim para ser sua ponte, sua fonte, sua rede.
Vim ser o seu nome, sua fome, sua sede.
Vou ser o seu escudo e sua espada.
E quando pensar que não tem mais nada...
Sorria! É novo dia!
Você terá a poesia.

sábado, 14 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- EU TENHO UMA ÁRVORE

Olá amigos e amigas. Vocês já fazem parte do meu dia a dia. Essa vai ser uma semana de declaração de amor à poesia. Vou começar com: EU TENHO UMA ÁRVORE

Eu tenho uma árvore que cuida de mim.
Debaixo dessa sombra, nada me assombra.
Seus galhos são os braços que me envolvem,
me absolvem de qualquer coisa ruim.
As folhas são os amigos que fiz
Que me leem, que me veem, que me creem
e isso me faz feliz.
Tantos frutos tirei.
Amor só quero um,
mas que seja além do comum.
Nesse tronco namorar, um coração desenhar.
Desilusões, podei.
Emoções colhi aos cachos,
quanto mais eu colho, mais eu acho.
Que ela cresça, floresça no dia a dia.
O nome de minha árvore...
é poesia.